segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Retrato: Renata Castelo Branco



Renata Castelo Branco, deu suas primeiras pedaladas na infância, na Praça Luíza Távora que ficava próxima de sua casa, uma praça que resiste com sua beleza. Mas, passados uns 10 anos, ela ficou sem ter contato com a bicicleta e andava muito de carro.  Em 2013, observou que havia um maior movimento de bicicletas na cidade e de pessoas que promovem o modal, daí ela percebeu que a bicicleta era o meio de transporte mais adequado às suas necessidades.
Ao se locomover com a sua bicicleta na cidade de Fortaleza/CE, ela nos conta que experimenta um misto de sensações contraditórias. Ao mesmo tempo que experimenta um prazer e liberdade indescritíveis, de encontrar as pessoas pelo caminho, os cheiros e a natureza mais próximos, ela também se retrai quando recebe olhares e comentários, ou quando recebe uma fina “educativa” porque os motoristas desrespeitam as leis de trânsito, ignorando a vida das pessoas que estão ali e precisam dividir o mesmo espaço público.  Então, ao experienciar essa inversão de valores e misto de sensações, Renata diz que seu corpo reage instantaneamente à tudo isso, “ora vem um relaxamento, ora fica em estado de tensão, de alerta”, desabafa uma Renata que deixa mostrar-se uma mulher forte e vibra ao resistir em suas escolhas.  E, sobre suas escolhas, ela se sente muito mais consciente e integrada ao meio em que vive e entende que faz parte de um todo e que as suas escolhas têm repercussão nesse todo.
Em março de 2014, Renata estava passando por um período de resoluções e recolhimento, nessa época se submeteu à uma cirurgia e ficou 15 dias de cama.  Ela, já pesquisava coisas sobre ciclismo urbano, e um dia se deparou com  o nosso post feito em Março do mesmo ano (http://www.vixcyclechic.com/2014/03/nao-provoque-e-cor-de-rosa-choque.html) que era sobre um evento em alusão ao dia 8 de março em Vitória/ES, e afirma que o post lhe deu um estalo e uma clareza do que ela vinha sentindo falta na vida, porque viu mulheres que passavam por uma outra relação com a cidade e com a natureza. E, foi a partir daí que resolveu adquirir uma bicicleta que fosse do seu jeito e gosto, assim, como fez o seu namorado.  Então, quando o sol está refrescante é que o casal gosta de passear, fazer piquenique, tomar banho de mar e ver o pôr-do-sol com suas bicicletas “Cravo e Canela” que foram customizadas por Fred, amigo do casal e profissional da área.




 


Essa placa e a sua elegância deixam bem evidentes que se trata de uma pessoa informada sobre os seus direitos de ser mulher, cidadã, ciclista e que tem total prioridade em relação aos motorizados.
Fotos: Nely de Carvalho. Ins-PIRE-se! 
Feliz PedaL!